Membros e parentescos
Pessoas que compõem as gerações relevantes e seus vínculos de parentesco.
O genograma é uma representação gráfica que permite organizar informações sobre uma família, suas gerações, relações, acontecimentos e outros dados relevantes para determinada finalidade.
Neste guia, você vai entender como o genograma funciona, quais informações pode representar, como construir um mapa básico, quais cuidados são necessários e por que ele vai além de uma árvore genealógica convencional.
O genograma é uma representação gráfica da estrutura familiar e de informações relevantes sobre seus membros e relações.
Visualmente, ele pode lembrar uma árvore genealógica, porque representa pessoas, parentescos e diferentes gerações.
Porém, o genograma pode ir além da genealogia.
Dependendo da finalidade, podem ser registrados:
O genograma ajuda a transformar informações familiares dispersas em uma representação mais organizada e visual.
Isso pode favorecer a compreensão de:
O desenho não fornece, sozinho, uma explicação sobre por que determinada situação ocorre.
Ele organiza informações que podem posteriormente ser analisadas dentro de um contexto.
Os dois podem representar diferentes gerações de uma família, mas normalmente possuem níveis de informação diferentes.
Imagine uma família formada por avós, três filhos e cinco netos.
Uma árvore genealógica pode ser suficiente para demonstrar:
quem são os avós, quem são seus filhos e de quais famílias descendem os netos.
Um genograma poderia, conforme sua finalidade, acrescentar:
Assim, o segundo desenho contém uma camada adicional de informação.
Em muitos modelos e referências profissionais, é comum representar pelo menos três gerações.
Um recorte desse tipo pode incluir, por exemplo:
Porém, o número adequado depende da finalidade do levantamento e das informações disponíveis.
Acrescentar gerações apenas para tornar o desenho maior não significa necessariamente produzir uma análise melhor.
É a pessoa a partir da qual determinado levantamento está sendo organizado.
Isso não significa que ela seja “a causa” dos acontecimentos familiares.
Ela funciona como referência para compreender graus de parentesco, gerações e relações representadas no desenho.
Dependendo da finalidade, o foco também pode estar em um casal, uma família ou determinada situação, e não exclusivamente em um indivíduo.
O conteúdo deve ser escolhido de acordo com o objetivo do levantamento.
Nem toda informação disponível sobre uma família precisa aparecer no mesmo mapa.
Pessoas que compõem as gerações relevantes e seus vínculos de parentesco.
Casamentos, uniões, separações, divórcios e outras mudanças relevantes podem ser representados conforme o objetivo.
Nascimentos, falecimentos, migrações ou outros acontecimentos relevantes podem ajudar a organizar a história familiar.
Dependendo da finalidade, podem ser representadas relações de proximidade, distanciamento, conflito ou outras características relatadas.
Profissão, mudanças de cidade, composição domiciliar, acontecimentos sociais ou outras informações podem ser incluídos quando tiverem relação com a finalidade do levantamento.
Informações de saúde podem aparecer em determinados contextos profissionais.
Por serem dados sensíveis, sua coleta, registro, armazenamento e compartilhamento exigem finalidade legítima, necessidade e proteção adequada.
Genogramas utilizam convenções gráficas para representar pessoas, vínculos familiares e acontecimentos.
Em modelos tradicionais, por exemplo, são encontradas convenções para representar:
Quando forem utilizadas convenções específicas, é recomendável manter uma legenda clara.
Isso evita que uma linha, forma ou marcação seja interpretada de maneira diferente por quem consultar o documento.
Existem convenções amplamente utilizadas, mas diferentes áreas, autores, sistemas e softwares podem apresentar variações.
Por isso, não é adequado interpretar automaticamente um símbolo isolado sem conhecer a legenda adotada.
Em um documento profissional, consistência e clareza da legenda são fundamentais.
Um genograma básico pode ser organizado em sete etapas.
Antes de coletar informações, esclareça por que o genograma será construído.
A finalidade determina quais dados realmente precisam ser registrados.
Identifique a pessoa, casal ou núcleo a partir do qual a estrutura será organizada.
Organize os membros das gerações relevantes.
Em muitas aplicações, utiliza-se como referência um mínimo de três gerações.
Conecte graficamente casais, pais, filhos, irmãos e demais relações familiares pertinentes.
Inclua apenas os dados necessários para a finalidade do mapa.
Evite transformar o genograma em um repositório indiscriminado de informações pessoais.
Quando forem pertinentes, represente eventos, aproximações, distanciamentos, conflitos ou outras características relatadas.
Verifique datas, parentescos, legenda, informações incertas e possíveis erros.
Um genograma pode ser atualizado à medida que novas informações relevantes são conhecidas.
Imagine uma pessoa que deseja compreender melhor sua história familiar e alguns acontecimentos ocorridos ao longo de três gerações.
O exemplo abaixo é fictício e serve apenas para demonstrar a lógica de organização.
Registrar avós maternos e paternos, uniões, separações, falecimentos e acontecimentos relevantes conhecidos.
Organizar os filhos de cada casal, relações conjugais, composições familiares e acontecimentos pertinentes.
Representar a geração atual e os parentescos necessários para compreender a estrutura.
Quando fizer sentido para o objetivo, podem ser registradas relações descritas como próximas, distantes, interrompidas ou conflituosas.
Mudanças, perdas, separações, migrações, mudanças profissionais ou outros acontecimentos podem ser acrescentados quando forem pertinentes à finalidade do levantamento.
O primeiro passo é observar o que o mapa efetivamente mostra, antes de tentar explicar o que ele significa.
Podem ser observados:
Depois, podem surgir hipóteses e perguntas que precisam ser exploradas no contexto.
Uma semelhança entre acontecimentos de duas gerações, por exemplo, não prova automaticamente uma relação de causa entre eles.
Ele pode ajudar a visualizar possíveis repetições e recorrências que mereçam investigação.
Por exemplo, podem aparecer semelhanças relacionadas a:
Entretanto, repetição visual não equivale a causalidade.
O mapa ajuda a formular perguntas. Não autoriza concluir, sozinho, que uma pessoa age de determinada maneira por causa de um familiar ou de um acontecimento de outra geração.
Em uma leitura sistêmica, o interesse não fica restrito às pessoas isoladamente.
Observam-se também relações, posições, contextos, acontecimentos, fronteiras, mudanças e formas de organização do sistema familiar.
O genograma pode funcionar como um mapa para organizar essas informações.
Isso não significa que o desenho revele uma “verdade oculta” sobre a família.
Ele é uma representação construída a partir das informações disponíveis e precisa ser compreendido dentro desse limite.
Conhecer Desenvolvimento Humano e Abordagem SistêmicaNão.
O genograma é uma representação gráfica utilizada para organizar informações familiares, relacionais e contextuais.
A Constelação Sistêmica é uma abordagem com metodologia, dinâmica e recursos próprios.
Em determinado trabalho, informações levantadas em um genograma podem ajudar na compreensão do contexto familiar, mas uma ferramenta não deve ser confundida com a outra.
Entender a atuação em Constelação SistêmicaNão. Embora possam ser utilizados de forma complementar, representam aspectos diferentes.
O genograma concentra-se principalmente na estrutura familiar, gerações, parentescos e informações relacionadas à família.
O ecomapa amplia o olhar para relações entre a pessoa ou família e seu ambiente social.
Dependendo da finalidade, podem aparecer escola, trabalho, comunidade, serviços, amigos, instituições e outras redes de apoio.
Assim, um recurso pode mostrar principalmente a organização familiar e o outro as conexões com o contexto externo.
O genograma organiza principalmente relações, gerações e estrutura.
Uma linha do tempo organiza acontecimentos a partir de sua sequência temporal.
Quando utilizados de maneira complementar, os dois recursos podem ajudar a visualizar:
quem estava presente, como a família estava organizada e o que aconteceu naquele período.
Isso pode enriquecer a compreensão de mudanças e transições familiares.
Pode, quando essas informações forem relevantes para a finalidade do levantamento.
Por exemplo, um mapa pode registrar:
Isso pode ser útil quando a pergunta envolve trajetória profissional, empresa familiar, sucessão ou relações entre família e trabalho.
O genograma aparece em diferentes áreas e pode assumir finalidades distintas.
Há referências de uso, por exemplo, em contextos relacionados à:
A utilização profissional deve respeitar a finalidade do trabalho, a formação, as atribuições e os limites legais de cada área.
Não por si só.
O genograma é uma ferramenta de organização e representação de informações.
Ele pode integrar processos profissionais mais amplos, de acordo com a área de atuação e as habilitações envolvidas.
A presença de determinada informação, relação ou repetição no mapa não constitui, isoladamente, diagnóstico clínico, psicológico, médico ou de qualquer outra natureza.
Também não deve ser usado para atribuir automaticamente características, intenções ou problemas a familiares.
Um genograma pode reunir informações pessoais sobre várias pessoas, inclusive indivíduos que não participam diretamente de sua construção.
Por isso, é importante considerar:
Informações incertas não devem ser apresentadas como fatos confirmados.
O fato de uma informação ser conhecida pela família também não significa que ela deva ser publicada ou compartilhada sem necessidade.
Não.
Todo mapa é uma representação parcial da realidade.
Um genograma depende:
Duas pessoas da mesma família também podem descrever determinado relacionamento de maneiras diferentes.
O genograma deve, portanto, ajudar a organizar a investigação, e não encerrar a compreensão sobre uma família.
Em um processo de Desenvolvimento Humano ou abordagem sistêmica, o genograma pode ajudar a organizar informações antes de selecionar outras intervenções ou ferramentas.
Ele pode contribuir para visualizar estrutura familiar, acontecimentos, vínculos, mudanças, recursos e questões que mereçam maior investigação.
O mapa, entretanto, não deve determinar antecipadamente qual será a interpretação ou intervenção.
O contexto vem antes da ferramenta.
Uma sequência possível começa pela pergunta e termina na integração das informações.
Identificar qual questão está sendo investigada e qual a finalidade do trabalho.
Reunir dados relevantes sobre pessoas, gerações, acontecimentos e relações.
Transformar as informações em uma representação gráfica coerente.
Identificar estruturas, mudanças, relações, recursos e possíveis recorrências que mereçam atenção.
Formular perguntas em vez de transformar observações em conclusões automáticas.
Relacionar o que apareceu no mapa ao restante das informações do contexto.
É uma representação gráfica que organiza informações sobre uma família, suas gerações, parentescos, relações e outros dados relevantes para determinada finalidade.
Serve para visualizar de maneira organizada a estrutura familiar e informações relevantes sobre seus membros, acontecimentos e relações.
Não exatamente. A árvore genealógica representa principalmente parentesco, ascendência e descendência. O genograma pode acrescentar informações relacionais, contextuais e acontecimentos relevantes.
Em muitas aplicações profissionais, é comum utilizar pelo menos três gerações. O recorte adequado, porém, depende da finalidade e das informações disponíveis.
Comece definindo a finalidade, identifique o ponto de referência, organize as gerações, represente parentescos, acrescente apenas informações relevantes e mantenha uma legenda clara para os símbolos.
Podem ser incluídos membros da família, parentescos, uniões, separações, nascimentos, falecimentos, acontecimentos relevantes e características das relações, dependendo da finalidade do mapa.
Não. O conteúdo deve ser definido conforme a finalidade. Dados de saúde são sensíveis e só devem ser registrados quando houver necessidade e tratamento adequado dessas informações.
Ele pode ajudar a visualizar possíveis recorrências e semelhanças entre acontecimentos, estruturas ou relações. Essas observações precisam ser investigadas e não devem ser tratadas automaticamente como relações de causa.
Não. O genograma concentra-se principalmente na estrutura e nas relações familiares. O ecomapa representa também conexões da pessoa ou família com redes e contextos externos.
Não. O genograma é uma representação gráfica de informações familiares. A Constelação Sistêmica possui metodologia e recursos próprios.
Uma pessoa pode organizar informações básicas de sua história familiar. Quando o recurso integra um processo profissional específico, sua utilização e interpretação devem respeitar a finalidade, a formação e os limites da área envolvida.
Sim. O desenho pode ser feito manualmente ou com ferramentas digitais, desde que a representação permaneça clara e exista atenção à privacidade das informações registradas.
Não por si só. Ele organiza informações e pode integrar processos profissionais mais amplos. A presença de dados ou repetições no mapa não constitui, isoladamente, diagnóstico.
O genograma é uma das ferramentas que podem apoiar a compreensão de diferentes contextos.
Desenvolvimento Humano e Abordagem Sistêmica
Métodos e ferramentas de Desenvolvimento Humano
Conteúdo de Roberto Tomaz, relacionado às áreas de Desenvolvimento Humano, Abordagem Sistêmica e compreensão de contextos relacionais.
Atualizado em 26 de agosto de 2026 .
Para conferência conceitual, foram consideradas referências institucionais brasileiras sobre utilização e construção de genogramas.
Entre elas estão materiais da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde e conteúdos acadêmicos vinculados à Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais — UFMG.
Essas referências descrevem o genograma como recurso de representação da estrutura familiar, relações, acontecimentos e outras informações relevantes, com uso frequente de pelo menos três gerações.
Os exemplos deste artigo são ilustrativos e não representam avaliação, diagnóstico ou interpretação de uma família real.
Ferramentas como o genograma podem integrar processos de Desenvolvimento Humano e abordagem sistêmica quando utilizadas de acordo com a demanda, a finalidade e os limites de cada atuação.